A D. Plastic Indústria e Comércio de Artigos de Plásticos Ltda., uma indústria localizada no Paraná, recorreu à Recuperação Judicial para reestruturar um passivo que ultrapassa R$ 16,1 milhões. O pedido foi protocolado em Curitiba no dia 24 de agosto e ilustra um fenômeno crescente entre empresas que, apesar de manterem operações e um mercado ativo, enfrentam dificuldades para equilibrar suas receitas, custos e dívidas. O total exato dos créditos que estão sujeitos à recuperação é de R$ 16.105.983,24.
Pedro Siqueira, CEO da PS Consultoria, que está à frente da consultoria do processo, aponta para a importância de desmistificar a ideia de que a Recuperação Judicial é um sinal de falência. "Recuperação Judicial não significa que uma empresa acabou. Na verdade, demonstra que há um produto, clientes, faturamento e uma operação viável, mas o endividamento se tornou insustentável em relação à geração de caixa. O grande risco é o empresário esperar até que o caixa se esgote para buscar ajuda", explica. A PS Consultoria atua em gestão estratégica, soluções financeiras e gestão de crises, com uma equipe multidisciplinar composta por profissionais de diversas áreas.
Fundada em 2019, a D. Plastic se especializa na fabricação de mantas térmicas de subcobertura, além de outros produtos. A empresa desenvolveu um processo produtivo verticalizado e, além de atuar no mercado brasileiro, exporta para Paraguai, Bolívia e Uruguai. Recentemente, iniciou a implantação de uma planta para a fabricação de fita asfáltica multiuso, sendo a única indústria paranaense a produzir esse insumo. O ciclo de investimento da empresa coincidiu com a pandemia, o que intensificou a pressão financeira sobre os negócios.
Atualmente, a empresa permanece ativa e o Pedido de Recuperação Judicial requer a suspensão de ações e execuções contra ela por um período legal de 180 dias, além de um prazo de 60 dias para a apresentação do plano de recuperação.
Siqueira enfatiza que a mensagem principal para outros empresários é a necessidade de buscar auxílio em momentos de crise. "A Recuperação Judicial é uma das várias ferramentas disponíveis, mas não deve ser a primeira opção. Quando uma empresa começa a notar uma queda consistente na margem de lucro, dificuldade em honrar compromissos, dependência crescente de empréstimos ou um volume de obrigações que não condiz com o faturamento, é um sinal claro de que um diagnóstico deve ser feito. Quanto mais cedo identificamos a origem do problema, mais opções há para renegociar dívidas e reorganizar o negócio, garantindo a continuidade da empresa", conclui.


