Profissionais de diversas áreas enfrentam um desafio recorrente: a dificuldade em converter conhecimento e planejamento em ações que gerem resultados. Apesar do acesso crescente a ferramentas de gestão e informações, a transformação do saber em fazer continua sendo uma barreira significativa. O terapeuta comportamental de líderes, Saulo Coelho, aponta que muitos perdem oportunidades ao não conseguirem implementar o que conhecem.
Saulo ressalta que, embora o mercado forneça muitas diretrizes sobre o que deve ser feito, ele pouco aborda o porquê de muitos ainda se comportarem de maneiras que os afastam de seus objetivos. "A motivação inicia, a intenção direciona, mas é o comportamento que decide", explica. Ele destaca que, mesmo conhecendo técnicas de gestão, um líder pode procrastinar decisões ou evitar conversas necessárias, perpetuando padrões prejudiciais.
Durante uma formação comportamental, profissionais de diferentes setores relataram experiências semelhantes, como autossabotagem e perfeccionismo. Muitas dessas pessoas já tinham consciência das mudanças necessárias, mas enfrentavam dificuldades em sustentar novos comportamentos. Miriam Torres, uma das participantes, compartilhou sua frustração ao perceber que clareza e motivação, por si só, não eram suficientes para provocar mudanças significativas em sua vida.
Miriam destacou a importância de modificar a maneira como se age diariamente, enfatizando que a transformação real se dá por meio do comportamento. Saulo Coelho complementa essa ideia ao apresentar o conceito de Comportamento Mínimo Viável (CMV), que consiste em adotar ações pequenas e consistentes que possam ser repetidas para gerar mudanças.
Essa abordagem desafia a cultura de promessas grandiosas e transformações instantâneas. Em vez de esperar por condições ideais ou motivação intensa, a proposta é identificar comportamentos que podem ser executados imediatamente e que, com a repetição, levarão a uma evolução gradual.
A relevância dessa discussão se intensifica em um cenário empresarial cada vez mais influenciado pela Inteligência Artificial. Embora a tecnologia seja capaz de processar informações rapidamente e sugerir estratégias, Saulo Coelho lembra que ela não pode substituir a ação humana. "A tecnologia não vai a uma reunião difícil pelo líder ou dá o feedback que ele está adiando", conclui, ressaltando que, à medida que a tecnologia avança, a importância do comportamento humano se torna ainda mais clara.


