A discussão sobre a implementação dos contornos ferroviários Leste e Oeste ganhou destaque durante uma audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em Curitiba. O prefeito Eduardo Pimentel (PSD) enfatizou a necessidade de incluir essas obras como parte obrigatória do novo contrato de concessão da Malha Sul, ressaltando que a remoção da ferrovia de cargas do perímetro urbano é crucial para a diminuição de acidentes e a melhoria da qualidade de vida dos moradores de 21 bairros que são impactados pelos trilhos.
O evento, que ocorreu no Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), contou com a presença de aproximadamente 200 participantes, incluindo o senador Sergio Moro (PL) e os deputados federais Ricardo Barros (PP) e Tião Medeiros (PP). Também estiveram presentes representantes do setor produtivo, lideranças políticas e membros da sociedade civil, demonstrando o interesse da comunidade em questões de mobilidade e segurança.
Durante sua fala, o prefeito Pimentel destacou a relevância do transporte ferroviário para o escoamento da produção do estado, mas reforçou que a nova concessão deve incluir a execução dos contornos ferroviários. Segundo ele, Curitiba é a última grande cidade brasileira onde a ferrovia de cargas ainda impacta de forma significativa a rotina dos cidadãos, afetando o trânsito, o transporte coletivo e a segurança viária.
Pimentel apontou que a linha férrea atravessa bairros como Anita Garibaldi, Bacacheri, Cajuru e Sítio Cercado, causando dificuldades diárias para milhares de moradores. Ele argumentou que a retirada dos trilhos do espaço urbano é uma demanda histórica da população e uma solução viável para minimizar os frequentes congestionamentos, os atrasos no transporte público e o elevado número de acidentes nos cruzamentos ferroviários.
Dados da ANTT corroboram as preocupações levantadas. Entre 2005 e 2025, Curitiba registrou 433 acidentes ferroviários na malha administrada pela Rumo Malha Sul, o que representa o maior número do país, superando a segunda colocada, Juiz de Fora (MG), que teve 247 ocorrências. De 2021 a 2024, a situação se manteve alarmante, reforçando a urgência de ações efetivas para melhorar a segurança nas áreas afetadas.
As contribuições da população para aprimorar o debate poderão ser enviadas à ANTT até o dia 10 de agosto, e novas audiências presenciais estão previstas para ocorrer em Porto Alegre e Florianópolis, ampliando assim a participação da sociedade nas decisões que impactam a mobilidade e a segurança urbana.


