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Argentina adota medidas restritivas contra estrangeiros em meio a crise com o Brasil

O presidente Javier Milei impôs restrições a estrangeiros, incluindo proibição de entrada e expulsão, em resposta a ataques ao país. A medida ocorre em um contexto de tensões diplomáticas com o Brasil.

Na madrugada de quinta-feira (30), o presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou um conjunto de restrições e penalidades direcionadas a estrangeiros que atacarem o país. Essa decisão surge em meio a uma crise diplomática com o Brasil.

Em uma publicação no X, o Gabinete da Presidência da Argentina informou que Milei assinou um Decreto de Necessidade e Urgência. De acordo com esse decreto, qualquer estrangeiro que promova ou incite mensagens de ódio, discriminação ou violência contra o povo argentino, ou que profane símbolos nacionais, estará sujeito a proibição de entrada e expulsão do território argentino.

Milei destacou que, diante das recentes manifestações de hostilidade contra a República Argentina, o Governo Nacional reafirma que a defesa da nação e de seus cidadãos não é negociável. "Quem atacar a República Argentina não é bem-vindo em nosso país", afirmou.

Essa ação do presidente argentino é uma resposta às tensões que já existiam entre a Casa Rosada e o Palácio do Planalto. No último sábado (25), Milei havia atacado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chamando-o de "presidiário" e responsabilizando-o por uma "tragédia econômica". Além disso, Milei fez referências pejorativas ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Os ataques recentes geraram uma crise diplomática entre Argentina e Brasil, levando o Ministério das Relações Exteriores do Brasil a convocar o embaixador brasileiro na Argentina e o enviado argentino em Brasília. Na quarta-feira (29), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu com o embaixador Julio Bitelli para discutir a situação. Durante a reunião, Vieira decidiu manter o embaixador no Brasil por tempo indeterminado.

O retorno do diplomata dependerá da diminuição das tensões entre os dois países. Auxiliares de Lula informaram que a volta imediata do embaixador está descartada, prevendo que ele permaneça no Brasil por "semanas". Na mesma data, Lula se referiu a Milei de forma desdenhosa, chamando-o de "aquela coisa" e considerando suas declarações em uma convenção do PL como uma "patacoada".