A menopausa é uma fase que exige cuidados especiais, e a reposição hormonal, quando indicada e acompanhada por um médico, pode ser um recurso importante. No entanto, Mônica Calderari, nutricionista especializada em nutrição da mulher 40+, climatério e menopausa, alerta que uma alimentação adequada continua sendo um pilar essencial desse tratamento.
Calderari compara o organismo a uma fábrica, onde os hormônios atuam como comandantes das máquinas, mas enfatiza que nenhuma máquina funciona sem a devida matéria-prima. Essa matéria-prima, conforme explica, provém da alimentação, que oferece a energia e os nutrientes necessários para o funcionamento diário do corpo.
A nutricionista, que é Professora Titular de Química da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) há 32 anos, ressalta que depender exclusivamente da reposição hormonal pode fazer com que se perca a oportunidade de tratar as causas dos problemas. Ela recomenda que as mulheres fiquem atentas aos sinais que o corpo emite nessa fase, como flacidez, cansaço, sono irregular, dores articulares, névoa mental e resistência abdominal. Uma dieta equilibrada, adaptada à rotina da mulher, pode ajudar na manutenção da saúde muscular, óssea, intestinal e mental, além de contribuir para o controle de doenças crônicas como diabetes e hipertensão.
Calderari também aborda as mudanças de peso que podem ocorrer durante o climatério e a menopausa, e critica dietas radicais ou restritivas. Ela afirma que, mesmo com a utilização de reposição hormonal, a alimentação continua a desempenhar um papel crucial. A nutricionista observa que o corpo da mulher muda e que a dieta que funcionava aos 30 anos pode não ser mais eficaz nessa nova fase da vida. Dietas da moda, segundo ela, não atendem às necessidades atuais e são insustentáveis.
Uma pesquisa publicada na revista JAMA reforça a relação entre a alimentação e a saúde da mulher na menopausa. Calderari destaca que esses achados sublinham a necessidade de uma dieta que atenda às exigências nutricionais dessa fase. Ela recomenda evitar dietas radicais e, ao invés disso, aumentar o consumo de alimentos naturais, como verduras, legumes, frutas, feijões, castanhas e cereais integrais, enquanto se reduz a ingestão de alimentos inflamatórios, como ultraprocessados, carnes processadas, sal em excesso e frituras.
Por fim, a nutricionista enfatiza que o objetivo deve ser construir uma alimentação equilibrada e prazerosa, que as mulheres consigam manter ao longo do tempo, promovendo assim uma melhor qualidade de vida durante a menopausa.


